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Entrevista do Mês
Entrevista do Mês com Álvaro Mansur, o árbitro dos árbitros.
Álvaro Mansur, o árbitro dos árbitros...sua história, a evolução da CBJJ e as polêmicas arbitragens...tudo isso e muito mais, só aqui no Sultatame.net

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Como o esquema por aqui é estar sempre antenado e, principalmente, estar ao lado de quem também está sempre ligado no que acontece dentro e fora das competições, o Sultatame.net tem a honra de bater um papo super-interessante com Álvaro Mansur, que é professor de Educação de Física, formado pela Federal Rural do Rio de Janeiro, Diretor Técnico da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu e Diretor Técnico da Federação Internacional de Jiu-Jitsu, que também é professor e diretor da Academia Soul Fighters.

Quando começou a praticar o jiu-jitsu e por quê?
R: Comecei quando eu tinha 6 anos de idade. O meu ingresso no jiu-jitsu está relacionado a uma questão familiar, onde o meu tio já era professor de jiu-jitsu...e aí, sabe como é, rolava toda aquela pressão (risos)... tinha todo aquele incentivo que sempre acontece...meu tio dizia, “vem treina, esse menino tem que treinar...”e aí eu comecei a treinar por causa disso.

Onde fica sua academia?
R: A sede da Soul Fighters fica no Rio de Janeiro, mas temos filiais em Manaus e na Espanha.

 

O que você acha da prática do jiu-jitsu para crianças?
R: Eu sou suspeito em falar. Eu acho que o jiu-jitsu para a criançada é nota 10. Eu acredito que por ter uma escola, onde também eu formo crianças, onde fui formado também numa escola juntamente com outras crianças, além da visibilidade que tive após a formação acadêmica, pude observar a aplicabilidade da modalidade, seja no desenvolvimento da parte psicomotora. Não só isso, trabalhamos também a formação de caráter e uma série de coisas que ajudam no desenvolvimento desta criança. Fora isso, trabalha-se o simples fato de apreender a cair, e com isso, se minimiza as chances de um acidente grave...então, para criança eu acho fundamental...melhor até que para os adultos.

Quando e como surgiu o trabalho com a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ)?
R: Olha, eu já arbitrava há muitos anos, já arbitrava a muito tempo, e aí com a criação da CBJJ eu comecei a arbitrar pela CBJJ e na época eu não era diretor, eu apenas arbitrava. E aí, com o passar do tempo, o Carlinhos Gracie juntamente com o Zé Beleza me chamaram para poder estar ajudando junto a Direção de Arbitragem. Aí com a saída do Zé Henrique da arbitragem, foi necessária a minha entrada. Assim eu assumi esta parte e foi aí que começou todo o envolvimento que até hoje existe...e o laço se torna cada vez maior.

Quem foram a pessoas que se envolveram na criação das regras do jiu-jitsu e suas alterações?
R: As pessoas que se envolveram nessa criação...eu posso ate me equivocar...em termos de lembrança...meu professor, meu tio, mestre Fransisco Mansur, mestre Hélio Gracie, uma pessoa que ajudou na organização da regra e que nem é professor, Élcio Leal. E quanto as alterações da regra, elas foram acontecendo com o passar do tempo...e aí, as pessoas que estavam na direção é que foram responsáveis pelas alterações e reformulações.

Na sua gestão, qual foi a maior modernização que ocorreu na regra?
R: Eu acredito que a maior coisa que a gente conseguiu implantar foi a colocação de três árbitros por área...eu acho que isso foi uma coisa muito importante para o jiu-jitsu de competição...e minha expectativa é que isso seja válido não só para os faixa-pretas, como também para os faixa-marrons, roxas, azuis e brancas...

Essas “polêmicas” que sempre rolam nos campeonatos, sobre os resultados das lutas...qual a sua opinião sobre isso?
R: A polêmica no resultado ela só existe quando se trata de um empate...existe, e vai existir sempre...porque não tem como você agradar as duas partes envolvidas. O arbitro vai ter que dar a decisão, vai ter que apontar um vencedor...e não existe um tempo a mais, não existe um ponto a mais...acabou o tempo de luta designado para aquela faixa etária, para aquela graduação, o árbitro vai ter que interromper a luta e apontar a decisão...e aí, vai reclamar o perdedor, que muitas vezes, vai se julgar injustiçado. Fora isso, existem os erros...existem, e a gente não pode negar...existem as falhas, até porque somos seres humanos...e infelizmente estamos sujeitos a erros. Num campeonato de jiu-jitsu, a gente tem, normalmente, de seis a dez áreas de luta...isso eu falo a nível de CBJJ, diferente do que acontece em campeonatos menores...então o que acontece, eu não teria condições de acompanhar todas as áreas ao mesmo tempo e estar tomando conta de cada área...então fica uma coisa muito complicada de você julgar ou intervir durante a luta...como se faz no futebol, que você congela as imagens e as projeta num telão, com tira-teima...o nosso caso não é uma única luta, são várias lutas ao mesmo tempo.

Errar é humano. Mas o que acontece com aqueles árbitros que “falham” demais?
R: (risos)...a gente tira ele. Na verdade, existem punições. Podem acontecer falhas pequenas ou graves, que serão punidas, seja com suspensões ou com o pagamento de cestas básicas à instituições de caridade...o que não podem acontecer são falhas gritantes.

Já existem algumas mudanças nas regras previstas para 2010?
R: Existe muito pouca coisa...mas existem sim algumas alterações. São mudanças que só vêm a melhorar para os atletas, para facilitar a decisão dos árbitros...coisas simples
que vão minimizar as chances de interpretação...


É possível voltar o resultado? Já aconteceu alguma vez?
R: É possível sim voltar o resultado e já aconteceu, mas é caso específico. Específico em que sentido? Na verdade são três casos e aí eu vou ter que intervir. No primeiro caso é relacionado à interpretação de placar...é quando o ganhador da luta perde. O árbitro equivocadamente se confunde na leitura do placar e aponta o perdedor como o vencedor. Uma segunda coisa que a gente volta atrás é quando um atleta ganha por um golpe não permitido. Por exemplo, quando um faixa azul aplica um leg-lock e vence a luta...e o árbitro dá a vitória para o faixa azul...na verdade, um faixa azul não pode aplicar um leg-lock...leg-lock é proibido para um faixa azul...então, na verdade, ele deve ser desclassificado. E uma terceira situação, é o inverso. É quando um atleta faz o oponente bater por uma posição permitida e o árbitro alega que não é permitido e por infelicidade desclassifica o atleta.

Qual a importância da filiação junto à CBJJ?
R: Existem vários benefícios. Primeiro, o atleta terá um histórico dentro do esporte. Então a CBJJ possui arquivos onde o atleta sempre terá noção de tudo...então, se um dia ele precisar de alguma documentação ou dado específico, ele vai ter isso a sua disposição. E o atleta que não está filiado, de uma forma ou de outra, não vai ter a sua disposição essas informações avalizadas pela confederação neste sentido.

Qual foi a luta mais polêmica na sua gestão?
R: Na minha gestão a luta mais polêmica foi a do Roger versus Jacaré. Duas lutas por sinal. Uma em 2004 e a outra em 2005...não me recordo ao certo o ano...lembro que Roger pegou o braço do Jacaré, aí o ele se machucou e a luta continuou...e o Jacaré começou a correr da luta e aí o arbitro puniu o Jacaré...porém, não chegou a uma desclassificação e a luta acabou com Jacaré campeão. Polêmica por quê? A polêmica estava no fato de ter ocorrido uma lesão notória no cotovelo do Jacaré e o árbitro não poderia ter interrompido a luta e dado a vitória para o Roger, até porque ele não bateu...o que ele deveria ter feito era ter interrompido a luta e ter chamado um médico...aí sim, se o médico avaliasse a situação e dissesse que o Jacaré não tinha condições de prosseguir na luta, aí sim, poderia dar a vitória ao Roger...


Qual o motivo dos campeonatos da CBJJ não oferecerem premiação em dinheiro?
R: Aí eu te respondo com outra pergunta: por quê que uma olimpíada não tem premiação em dinheiro? Na olimpíada o atleta não ganha dinheiro, ele ganha medalha. E por quê ele não ganha dinheiro da CBJJ? Porque é o órgão maior, mais organizado dentro do nosso esporte...e isso não preconiza com o propósito da instituição. Agora, veja só, se ele se consagra campeão mundial, por exemplo, ele já recebe a oportunidade de dar seminários em qualquer lugar do mundo...e vai ganhar muito mais dinheiro do que qualquer premiação oferecida nos campeonatos. Basta o atleta ter um bom relacionamento que todo mundo vai buscá-lo....e vai ganhar aí uns US$ 10 mil ou US$ 15 mil sem  pensar muito.

O que você acha do trabalho que vem sendo realizado na região Sul?
R: Olha, eu acho que vem sendo desenvolvido um trabalho muito sério...e as vezes eu cito como exemplo o comprometimento e a seriedade dos profissionais que exercem a arbitragem na região. É um pessoal que sempre procura estar atualizado, sempre me convidam para ministrar seminários aqui...é tão bacana o empenho dos profissionais do Sul que a CBJJ sempre procura dar todo o suporte quando necessário. Só me resta parabenizar a todos...e que a gente possa evoluir cada vez mais o jiu-jitsu na região Sul.

Eu gostaria de deixar um recado pra galera do Sultatame.net. Eu acho que vocês estão no caminho correto, investindo e disponibilizando assuntos relacionados ao nosso esporte. Busquem sempre as melhores informações, porque a notícia é sempre muito importante para o atleta, e muito importante para o público de um modo geral. Uma notícia sempre verídica e imparcial. As entrevistas que eu pude acompanhar tem sido nota 10, os vídeos também são nota 10...e é isso, parabéns.

Quem quiser tirar alguma dúvida ou obter maiores informações a respeito de regras, seminários ou a respeito de questões relacionadas às regras da CBJJ, eu coloco o meu endereço eletrônico a disposição.( Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. )

Forte abraço a todos.

 


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